theme por umapequenapoeta, com detalhes de sabedorias e beats4u.
São o quê? Duas da madrugada? É. Exatamente nessa hora que a saudade ataca. Vem se esgueirando pelos cantos e me abraça como se fosse minha amiga. E fica ali, grudada em mim como chiclete no chinelo, até o sol raiar. E é especificamente à essa hora que eu sinto uma leve brisa gelada percorrer minha espinha. E dá vontade de correr pro telefone, discar pro número de emergência e gritar: Me ajude, a saudade tá apertando. Mas nem levantar da cama a saudade deixa. Força-me a se encolher entre os edredons, a abraçar os travesseiros e deixar que as benditas lágrimas escorreguem. Sabe o que é isso? Vácuo. Ausência. Falta. É, falta de você. Não sabia não? E dói, sabia? Todas essas noites mal dormidas, todas essas manhãs chuvosas que são, mesmo com um grande sol dourado brilhando lá fora. Dói, e não é pouco. Se passa? Passa nada. Às vezes a saudade faz as malas e parece finalmente ir, mas daí ela volta, com mais bagagem que o normal. E se instala: na casa e no coração. Nos cômodos, nas roupas, em cada pequena brecha que encontra. Cê sabe, né? Sabe o que a saudade faz com a gente. Ela enlaça, aperta, sufoca. Então. Deixa ela fazer isso comigo não. Vem cispar ela pra fora daqui. Porque cê sabe que ela só vai embora quando você vir. Então, para só um pouquinho o que você tá fazendo, e vem. Vem retomar seu lugar, vem mostrar pra essa tal de saudade que quem tem que ficar na casa, no coração, nas roupas e nos cômodos é você. — Cartas (todaincerta)